Vou trazer algo diferente para você em termos de saúde mental. Qual o papel dos exercícios físicos e da boa alimentação para sua saúde mental?

O órgão em nosso corpo que nos possibilita pensar, sentir e tomar decisões é o cérebro, que, no adulto, pesa mais ou menos 1,5 kg. Deus criou o cérebro para funcionar com química e eletricidade, dependente do sangue, e a qualidade do sangue e da circulação, por sua vez, depende de nossos hábitos alimentares e práticas físicas, como repouso com sono adequado, exercícios físicos e até mesmo de nossas emoções.
As neurociências têm verificado que o corpo e o cérebro funcionam juntos, estando plenamente integrados. Veja um exemplo simples e prático de uma autora, que explica assim:
Se tens a mente impressionada e fixa na ideia de que o banho te fará mal, a impressão mental se comunica a todos os nervos do corpo. Os nervos controlam a circulação do sangue; portanto o sangue, por causa da impressão mental, é confinado aos vasos sanguíneos, e perdem-se os bons efeitos do banho. Tudo isto se dá porque o sangue é pela mente e a vontade impedido de fluir prontamente e vir à superfície para estimular, despertar e promover a circulação. 1)Ellen G. White. Mente Caráter e Personalidade, v2, p. 397
Interessante, né?
A prática de hábitos físicos saudáveis não só aumenta a chance de viver mais anos, como também melhora a nossa qualidade de vida e o funcionamento cerebral.
No artigo científico chamado Duração do Exercício e Estado de Humor: Quanto é Necessário para se Sentir Melhor?, os doutores Cheryl Hansen, Larry Stevens e Richard Coast, da Universidade do Norte do Arizona, citam vários autores que mostram em seus estudos que:
A prática de exercícios físicos é útil para o manejo da ansiedade excessiva, depressão, raiva descontrolada, tensão pelo estresse e até a autoestima. A recomendação é a de que se pratique 30 minutos de exercício físico moderado diariamente para melhoras no humor.2)Hansen, Cheryl & Stevens, Larry & Coast, J.. (2001). Exercise Duration and Mood State: How Much Is Enough to Feel Better?. Health Psychology 20(4):267-75 … Continue reading

Em outro estudo, de 2011, os cientistas Peter Carek, Sarah Laibstain e Stephen Carek, da Universidade Médica da Carolina do Sul, em Charleston, nos Estados Unidos, também mostraram que:
Atividades físicas estão associadas à diminuição de sintomas de depressão e ansiedade, bem como melhoram a satisfação na vida, funcionamento cognitivo e bem-estar psicológico.3)Carek PJ, Laibstain SE, Carek SM. Exercise for the treatment of depression and anxiety. Int J Psychiatry Med. 2011;41(1):15-28. doi: 10.2190/PM.41.1.c.
A prática de exercícios físicos melhora um mecanismo em nosso organismo chamado homeostático ou homeostasia, que é um programa automático de busca de equilíbrio e ajustes que Deus instalou em nosso corpo e mente.
Por exemplo, se você acidentalmente corta sua mão com uma faca — sei lá, descascando uma laranja ou uma batata — imediatamente o corpo ativa esse mecanismo homeostático e inicia o processo de estancar a hemorragia, atacar as bactérias invasoras através do corte, e tudo isso acontece sem que você precise dar ordens ao corpo para que ele realize esse trabalho fantástico. Ele faz sozinho, e só não o fará de maneira eficaz se a sua saúde estiver comprometida.
Você já reparou como um bebê no berço está sempre mexendo os bracinhos e as perninhas? Os bebês saudáveis fazem isso não porque aprenderam que exercício físico é importante para a saúde, mas porque respondem espontaneamente à vida criada por Deus.

Na Revista de Fisiologia Aplicada, de 18 de novembro de 2008, no artigo chamado Exercício: A Fonte da Juventude do Cérebro, é sugerido que:
Exercícios físicos diários mantêm o cérebro jovem. Quanto mais cedo começar, melhor.4)Exercise: The Brain´s Fountain of Youth. Journal of Applied Physiology 18 Nov 2008
Pesquisadores verificaram que a demora em iniciar um programa de exercícios físicos cria o risco de não obter tantos benefícios, porque, à medida que envelhecemos, o processo do cérebro de criar novas células — chamado de neuroplasticidade — fica mais lento. Como consequência, ocorrem mais cedo prejuízos na memória e no aprendizado.
Mas será que o declínio mental ligado à idade pode ser revertido com exercícios físicos?
Bom, cientistas treinaram ratos para correr em rodas de exercícios a 70% de sua capacidade aeróbica, todos os dias, por cinco semanas. Os ratinhos começaram a correr na idade de 8 meses, que, para eles, é o início da idade madura, ou na idade de 12 meses, que equivale ao meio da idade idosa dos ratos.
Os que se exercitaram todos os dias aumentaram em duas vezes e meia a produção de novas células cerebrais, comparados aos que não se exercitaram. E esses novos neurônios — que são as células nervosas — se integraram à rede cerebral já existente.
Os pesquisadores concluíram também que os exercícios em esteira não apenas aumentam a quantidade, mas também fortalecem a qualidade dos novos neurônios. Os ratos que começaram os exercícios no início da idade madura obtiveram melhores resultados em comparação com os que iniciaram no fim dela.

Em outro estudo, conduzido por Feraz Rahman e colaboradores, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, feito com 12 pessoas saudáveis com idades entre 60 e 80 anos, observou-se que a prática regular de exercícios está associada ao aumento no número total de vasos no cérebro e ao aumento do fluxo sanguíneo nas três principais artérias cerebrais.
Isso traz benefícios para áreas que controlam funções como consciência, memória, resposta emocional e linguagem. Avaliando imagens de ressonância magnética, os especialistas descobriram que aqueles que, por 10 anos ou mais, haviam se exercitado cerca de 3 horas por semana em atividades aeróbicas tinham um maior número de pequenos vasos — 150 contra 100 dos sedentários — e um fluxo sanguíneo no cérebro 50% maior.
Um estudo apresentado na 10ª Conferência Nacional sobre Saúde Psicológica da Criança, em Gainesville, na Flórida, em abril de 2006, e publicado na revista Ciência do Exercício Pediátrico, avaliou 208 crianças, entre 7 e 11 anos, que estavam acima do peso e eram sedentárias. Descobriu-se que aquelas que passaram a praticar exercícios físicos após a aula tiveram menor pontuação na escala de raiva, além de melhor condicionamento físico. Os autores destacam que os exercícios físicos podem melhorar o humor e a função cognitiva, ajudando as crianças a terem mais autocontrole. Interessante isso, né?
Então, se até os ratinhos tiveram ganhos incríveis ao se movimentar, imagine o que você pode conquistar com o simples hábito de se exercitar! Não precisa começar correndo uma maratona — uma caminhada regular, um alongamento ou até subir escadas já pode fazer diferença. O importante é dar o primeiro passo, literalmente. Seu cérebro, seu corpo e seu humor vão agradecer. Que tal começar hoje?

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Dr. Cesar Vasconcellos de Souza está trabalhando como psiquiatra e palestrante internacional. É autor de 3 livros, colunista da revista de saúde “Vida e Saúde” há 25 anos, e tem programa regular na TV “Novo Tempo”. Acesse mais conteudos no canal de Youtube.
Referências
| ↑1 | Ellen G. White. Mente Caráter e Personalidade, v2, p. 397 |
|---|---|
| ↑2 | Hansen, Cheryl & Stevens, Larry & Coast, J.. (2001). Exercise Duration and Mood State: How Much Is Enough to Feel Better?. Health Psychology 20(4):267-75 https://dx.doi.org/10.1037/0278-6133.20.4.267 |
| ↑3 | Carek PJ, Laibstain SE, Carek SM. Exercise for the treatment of depression and anxiety. Int J Psychiatry Med. 2011;41(1):15-28. doi: 10.2190/PM.41.1.c. |
| ↑4 | Exercise: The Brain´s Fountain of Youth. Journal of Applied Physiology 18 Nov 2008 |
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