O tema de hoje parece meio traumático, meio forte, mas é importante porque tem pessoas precisando dessa ajuda. Se você está pensando em suicídio, se quer acabar com a sua vida, ou se você conhece uma pessoa que tem falado em querer morrer, em se suicidar, leia o artigo e ajude essa pessoa com as informações que eu vou compartilhar com você.

Infelizmente cerca de 1 milhão de pessoas se suicidam cada ano no mundo. São quase 2740 por dia, 114 por hora ou quase duas a cada minuto. Que coisa, né? Se considerarmos as tentativas também, o índice fica entre 15 a 25 milhões por ano.
Existem muitas causas para o suicídio. Elas envolvem fatores socioculturais, genéticos, psicodinâmicos, filosóficos, existenciais e ambientais. Se a pessoa apresenta alguma enfermidade mental, então isso se torna um importante fator de risco para o suicídio. Talvez você sofra de depressão ou pode estar dependente de alguma droga e não consegue largar, ou tem algum transtorno de personalidade difícil de resolver, pode ter doença bipolar, alcoolismo, ansiedade crônica muito perturbadora, ou sofre com a doença de esquizofrenia.
Ou você pode querer se matar por outra razão, que pode ser econômica, com perda do emprego ou falência do seu negócio e agora está com dívidas, sem poder pagar, sem ter como bancar a despesa da família. Ou você sente uma profunda vergonha por alguma coisa que aconteceu e acha que não tem saída, que não tem solução. Quem sabe você sente uma culpa também com a ideia de que não tem mais perdão. Ou você pode estar com uma sensação de perda da razão para viver, talvez motivada por uma angústia, já que a angústia produz uma sensação de vazio, de falta de sentido.
Mas pode ser que no fundo você não quer morrer e chegou à conclusão de que não sabe como continuar vivendo com aquilo que para você é um beco sem saída. Deixa-me dizer que a sensação de não ter saída é uma sensação, um sentimento. Pense nisso. Sensação, sentimento é algo que muda, igual o tempo atmosférico. Por exemplo, de manhã pode estar com sol e céu azul e após o almoço ficar nublado, cair um temporal e depois voltar a ter céu azul de novo. Ou seja, o que sentimos de bom, de agradável passa, mas o que sentimos de ruim também passa.

Eu imagino que você pode estar vivendo algo dolorido por longo tempo, e assim pensa que não tem como parar com essa dor. Mas é importante pensar que a saída para sua dor, esta dor ou problema que te empurra para a ideia de se matar, a saída pode ser algo real, mesmo que a solução do problema não aconteça da maneira ideal. A solução pode não ser exatamente a que você preferiria ou gostaria, mas pode ser razoável. Além disso, é possível aprender a suportar a perda e a frustração, assim como a raiva contra a realidade. Muitas pessoas que pensam em suicídio ficam com tanta raiva por algo que ocorreu ou não ocorreu na sua vida, que podem estar querendo jogar a raiva contra si mesmas na forma de se agredir mortalmente.
Pense no seguinte: seus filhos, ou seus netos precisam de você; mesmo que eles pareçam e sejam independentes, você é importante na vida deles. Existe um vínculo afetivo entre você e eles. Uma pessoa que se suicida deixa uma marca na vida do familiar que nunca mais se apaga. E para alguns familiares, a morte por suicídio de um parente pode conduzir a um estado depressivo, de difícil recuperação.
Pense nisso também. Numa mente depressiva ou com outro sofrimento psiquiátrico, ocorre uma alteração da neuroquímica cerebral que favorece uma visão distorcida da vida e da realidade. E quando isso for corrigido, o alívio surgirá de verdade. É como se você estivesse usando temporariamente óculos que não são seus, cuja lente tem um grau que faz você enxergar meio embaçado.

A visão embaçada não é, portanto, a realidade; é a lente que não é adequada para você. Esta alteração cerebral que produz uma sensação negativa da vida, não é permanente e com o tratamento adequado, ela pode ser corrigida e o cérebro pode voltar a funcionar saudavelmente. Assim a sua dor emocional ou dor mental irá modificar, diminuir, desaparecer, pelo menos por muitos momentos. E quando, e mesmo que quando ela voltar, se ela voltar, é possível ser criada dentro de sua mente uma resistência psicológica que fará com que ela seja muito mais suportável do que agora.
Em outras palavras, a sua mente pode se adaptar à perda que você pode estar vivendo, ainda que até agora essa adaptação não tenha ocorrido. Você não precisará necessariamente ficar sofrendo na mesma intensidade o tempo todo. Eu vou repetir o que eu comentei antes: O que sentimos de bom, de agradável passa, mas o que sentimos de ruim também passa. Todos nós, seres humanos, não conseguimos sentir bem-estar o tempo todo, 24 horas por dia, 7 dias por semana. As pessoas saudáveis mentalmente sentem algum sentimento doloroso vez ou outra. Saúde mental não é nunca ter tristeza, nunca ter ansiedade, nunca ter medo, mas é não fazer besteira quando sentir alguma coisa assim desagradável.
Então, o que a gente sente de bom, de agradável, passa, vai embora. É verdade. Mas o que sentimos de ruim também passa, também vai embora. Numa hora de crise forte em que a sua mente volta no pensamento suicida, procure comentar com quem estiver perto sobre o que você sente. Se você estiver sozinho, sozinha, telefone para um amigo ou parente, fale do assunto, ou se for possível, saia de casa e vá se encontrar com um familiar, um amigo que vai te dar suporte na hora da emergência. Se você vem se tratando com psicólogo, psiquiatra ou médico de família, entre em contato com ele. Outra alternativa é telefonar para o CVV, Centro de Valorização da Vida, no número 188.
A ligação é gratuita, de qualquer lugar do Brasil. O CVV é uma organização não governamental especializada em atendimento de pessoas com ideias suicidas. O conselheiro que vai lhe atender sabe como ajudar uma pessoa que está sofrendo com ideias suicidas.
Também numa hora de crise forte em que vem a ideia de se matar, vá a um lugar sossegado, podendo ser seu quarto, por exemplo. Feche a porta para ter silêncio e comece a orar a Deus. Abra seu coração a ele. Fale das suas lutas, do seu desespero, de seu desejo de morrer e peça para que as ideias pessimistas sejam controladas e afastadas da sua mente pelo poder de Jesus. Ele vai te ajudar independente do que está acontecendo na sua vida.
Sabe uma coisa que pode te ajudar a sair dessa ideia trágica? É pensar no que tem funcionado bem na sua vida. Reflita sobre o que você tem conseguido realizar apesar das lutas com depressão ou o problema principal que te levou a pensar em morrer.

Um jornalista entrevistou várias pessoas que tentaram o suicídio, mas alguma coisa falhou e elas não morreram. Quando ele perguntou sobre o que que elas pensaram na hora que deram o passo para se matarem, sabe o que que todas responderam? Elas disseram: “Me arrependi”. Essa emoção ruim que você tem sentido que te leva a querer morrer, pode ser minimizada, diminuída e até eliminada da sua mente. Procure ajuda, isso vai passar.
Eu quero deixar com você um texto para você pensar agora:
Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos.
Isaías 57:15
Deus está aí com você que está aflito e abatido e vai te ajudar. Confie. sua vida pode melhorar. Acredite.

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Dr. Cesar Vasconcellos de Souza está trabalhando como psiquiatra e palestrante internacional. É autor de 3 livros, colunista da revista de saúde “Vida e Saúde” há 25 anos, e tem programa regular na TV “Novo Tempo”. Acesse mais conteudos no canal de Youtube.
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