Embora os seres humanos sejam criaturas inerentemente sociais, o caminho para a conexão é frequentemente bloqueado por uma barreira interna. A timidez é o medo exagerado de ser avaliado pelas pessoas em geral e produz desconforto e limitações emocionais quando a pessoa deseja contato social.

Entre 40% e 50% dos norte-americanos declaram ter certa disposição para a timidez. Desses, 75% dizem que não gostam de ser tímidos, e 66% admitem que sua timidez é um problema pessoal. No Brasil, a taxa de pessoas com transtornos de ansiedade chega a cerca de 9,3%, o que torna o país um dos que apresentam índices mais altos de problemas relacionados à ansiedade excessiva.
É importante lembrar que os transtornos de ansiedade podem se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa, como por exemplo por meio de crises de pânico, ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo, fobia social, entre outras formas.
O que será que produz esse problema de saúde mental? Entre os fatores que contribuem para o alto índice de sofrimento ligado à ansiedade exagerada estão problemas psicológicos, abusos emocionais — como gritos, depreciação da criança e xingamentos — abusos físicos, como impor tarefas pesadas demais ou espancamento, além de abusos sexuais na infância.
Também contribuem fatores socioeconômicos, como desemprego, pobreza, famílias desestruturadas por alcoolismo ou outras dependências químicas, bem como o divórcio. Somam-se ainda problemas sociais, como o estresse causado pelos engarrafamentos nas grandes cidades, que fazem com que as pessoas percam horas diariamente no deslocamento para o trabalho. Além disso, a violência social, a poluição sonora, a poluição do ar nas grandes cidades e a solidão contribuem para o surgimento de sofrimento mental.

Vivemos em um mundo ansioso que caminha a passos largos para a depressão. No mundo, pelo menos 330 a 350 milhões de pessoas sofrem de depressão. Considerando as Américas — América do Norte, América Central e América do Sul — os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar em incidência de depressão. É algo impressionante: um país de primeiro mundo com tantas pessoas deprimidas.
Como pode ser que um estilo de vida confortável não previna a depressão? O Brasil vem em segundo lugar, e Cuba em terceiro, em relação à incidência de depressão. Observa-se também que, em todo o mundo, as pessoas mais afetadas pela depressão são do sexo feminino.
Estudos sobre timidez têm mostrado que o ambiente familiar e experiências desagradáveis que aumentam a ansiedade são tão importantes quanto a genética para explicar o surgimento desse sofrimento em algumas pessoas. Alguns pesquisadores sugerem que pode haver envolvimento genético, mas não necessariamente a existência de um “gene da timidez”.
A Dra. Elaine Aron, cientista com doutorado em psicologia clínica, iniciou em 1991, junto com seu esposo, o Dr. Arthur Aron, estudos sobre um traço de personalidade chamado “alta sensibilidade”. Seus estudos sugerem que a timidez não seria herdada geneticamente em si, mas que o que se herda é o traço de sensibilidade, o qual não leva necessariamente à timidez, a menos que exista um ambiente problemático, especialmente durante a infância ou adolescência.
No mundo, estima-se que cerca de 14% da população possua esse traço de alta sensibilidade. Segundo a Dra. Elaine Aron, crianças que preferem pausar para observar o ambiente ao seu redor ou se retirar quando o ambiente é muito agitado podem ser erroneamente interpretadas como tímidas.

À medida que desenvolvem autoconsciência e capacidade de escolha, essa característica de temperamento pode se manifestar como preferência por ambientes menos estimulantes e maior proximidade com familiares. Contudo, esse comportamento ainda não caracteriza timidez.
Crianças pequenas, quando colocadas em situações novas, podem parar para observar o ambiente. É a presença contínua de fatores estressores que pode levar uma pessoa altamente sensível a desenvolver medo de avaliação social — ou seja, timidez.
É importante diferenciar timidez de introversão. A timidez envolve sofrimento e medo de avaliação social, enquanto a introversão não é vivida como algo doloroso pela pessoa introvertida.
Crianças de uma mesma família reagem de formas diferentes às mesmas situações difíceis. Um mesmo problema familiar ou escolar pode afetar uma criança de uma maneira e seu irmão de outra. Enquanto uma pode se recuperar mais facilmente, outra pode sofrer de forma mais profunda e demorar mais para se restabelecer emocionalmente, devido às diferenças individuais de sensibilidade.
Existem crianças mais sensíveis a barulho, estresse, ambientes agitados e conflitos familiares do que outras. Estudos mostram que um fator estressor importante para crianças altamente sensíveis é a existência de um vínculo inseguro com uma mãe muito ansiosa ou emocionalmente instável, bem como a dificuldade dos pais e familiares próximos em lidar adequadamente com esse temperamento.
Uma criança que cresce em um ambiente com pais emocionalmente desequilibrados aprende, por meio do vínculo, a desenvolver níveis mais elevados de ansiedade. Crianças pequenas não inventam conscientemente comportamentos: elas herdam tendências genéticas, sofrem influência epigenética e copiam o que observam em seus pais.
Por isso, antes de repreender um filho por determinado comportamento, é importante que os pais reflitam se essa atitude não é algo que a própria criança esteja apenas reproduzindo. É justo exigir da criança um comportamento que os próprios pais não conseguem manter?
Cientistas observaram que crianças mais sensíveis e vulneráveis apresentam maior timidez quando expostas a relacionamentos familiares disfuncionais. Além disso, mudanças frequentes, como troca de escola ou de cidade, também aumentam a timidez nessas crianças.

Por outro lado, a timidez excessiva pode se desenvolver também em crianças e adolescentes de qualquer temperamento quando há experiências repetidas de crítica e rejeição.
Para ajudar uma criança a não se tornar excessivamente tímida e reduzir o risco de transtornos de ansiedade e depressão no futuro, algumas atitudes são fundamentais: não criticar a criança por não corresponder a um modelo idealizado, evitar comparações com irmãos ou outras crianças e oferecer proteção a crianças altamente sensíveis, evitando exposição constante a ambientes excessivamente barulhentos e estressantes.
Por fim, se a criança ou adolescente apresentar timidez excessiva a ponto de evitar a escola, o convívio social ou preferir o isolamento, é fundamental conversar para entender o que está acontecendo e buscar uma avaliação psicológica. A timidez excessiva é dolorosa, precisa ser tratada e pode ser abordada de forma a proporcionar melhor qualidade de vida mental.

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Eu me travou em falar na igreja sofri trauma na infância fui violenta abusos e apanhei muito de minha mãe. Ela me maldiçoava