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Como Ajustar as Suas Defesas Mentais

setembro 6, 2025 por Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Quando uma criança vai crescendo em sua família de origem, mesmo nas famílias onde não existem conflitos graves, ela precisa usar mecanismos de defesa psicológica para lidar com frustrações inevitáveis. Assim como o nosso sistema imunológico foi criado por Deus para proteger o nosso corpo de invasores, como vírus ou bactérias que produzem enfermidades, também temos em nossa mente esses mecanismos psicológicos para nos ajudar a, se possível, nos afastar de atitudes, sentimentos, pensamentos, palavras e crenças desagradáveis.

Como Ajustar as Suas Defesas Mentais

Os mecanismos psicológicos de defesa entram em ação de forma inconsciente. Por exemplo: um indivíduo viciado em alguma substância — seja álcool, droga ilícita ou outra substância — pode ficar muitos anos dizendo que não tem nenhum problema com drogas. Isso não é uma mentira conscientemente usada por ele, mas sim um mecanismo psicológico chamado de negação.

Por razões variadas, é difícil para esse indivíduo admitir que tem descontrole quanto ao uso das substâncias e, por isso, a sua mente cria essa postura de negação. Frases que ele pode usar, estando em negação do problema, podem ser:

  • “Ah, eu paro de beber quando eu quiser.”
  • “Ah, eu bebo só um pouquinho.”
  • “Ah, eu só uso droga em fim de semana.”

Enquanto isso, a verdade é que ele não consegue parar de beber sozinho, usa bebidas alcoólicas em excesso e usa drogas frequentemente.

Ainda nesse exemplo da negação: quando o indivíduo admite que perdeu o controle sobre o uso da substância, quando reconhece que não consegue parar com esse vício sem ajuda, ele dá o primeiro passo para a recuperação. Isso porque agora não está mais usando a negação. Dessa forma, a verdade aparece na mente dele, e é quando pode procurar ajuda adequada.

Quando vivemos conflitos desde a infância até a vida adulta, a nossa mente vai lançando mão de defesas mentais para nos manter na realidade e funcionando como pessoa. Uma criança, por exemplo, pode se sentir muito insegura e com medo excessivo, e a mente dela criar uma defesa para lidar com esse desconforto emocional, que pode ser, por exemplo, a fobia escolar.

A fobia é o medo excessivo, e ela serve de defesa contra aquilo que assusta a pessoa. Se essa pessoa tem conflitos difíceis de resolver, a mente dela pode criar uma fobia porque, na fobia, ela ainda consegue funcionar. Por exemplo: se a fobia é de usar elevador, ela pode subir pela escada. Mas, nesse caso, a fobia é um medo exagerado, muitas vezes irracional, porque o indivíduo sabe que não faz sentido aquele tipo de manifestação de excesso de medo, mesmo assim, ele sofre com isso.

O mais importante é entender que a fobia, que é um mecanismo de defesa emocional, revela que, na mente inconsciente do indivíduo, existem conflitos que podem não estar claros ainda para ele.

Uma criança com fobia está se encaixotando

Realmente, a pessoa, independente do seu nível cultural, pode dizer: “Eu não sei porque sinto esse medo exagerado.”

A cura disso requer a tomada de consciência dos conflitos que estão embaixo da superfície da consciência. Isso pode ser doloroso, porque dói pensar no que dói. Por isso, evitamos pensar no que dói e usamos, inconscientemente, um mecanismo de fuga da experimentação dessa dor. Fazemos isso até estarmos prontos para encarar a verdade, que produzirá a chance de amadurecimento e resolução dos sintomas.

Então, em um momento da vida podemos precisar usar determinado mecanismo de defesa. Mas, com o passar do tempo e a decisão de buscar a resolução dos sofrimentos emocionais básicos que estão sob a superfície do que pensamos conscientemente, é possível abandonar o mecanismo que antes nos servia, mas que agora nos atrapalha.

O que antigamente nos ajudava a lidar com situações dolorosas, agora pode ser uma barreira para nosso amadurecimento e força para viver.

Vou dar um exemplo para ilustrar isso: vamos supor que você tenha quebrado uma perna num acidente e precisou usar um apoiador, um andador, uma muleta, por algum tempo, enquanto não podia apoiar no chão plenamente a perna fraturada. As muletas eram necessárias. Mas, se quando o médico liberou o uso dessas muletas, porque a perna já estava sarada, você decidisse continuar usando, elas seriam um estorvo para você andar, em vez de um auxílio. O que era necessário antes, agora se transformou em desvantagem.

Um par de muletas a ser devolvido no hospital

Assim acontece com as defesas psicológicas que usamos e também com os defeitos de caráter. Na medida em que somos iluminados por Deus e passamos a ver e admitir que temos este ou aquele defeito de caráter ou defesa que agora é disfuncional, temos a chance de mudar.

Faz sentido o que Jesus disse quando falou assim:

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
João 8:32

Então, a pergunta é: que verdade você precisa conhecer sobre aquilo que te prende, para que consiga a liberdade do seu sintoma?

A resposta está dentro da sua mente. Será importante, por um lado, não nos acomodarmos com nossas defesas e defeitos de caráter e lutar para melhorar; como também, por outro lado, exercermos paciência conosco mesmos, em vez de nos condenar e depreciar ao perceber erros em nosso comportamento, aceitando o ritmo possível para a mudança deles.

Alguém disse que, às vezes, precisamos aceitar a nós mesmos com os defeitos e tudo mais, antes que esses defeitos sejam removidos. Aceitar como Jesus nos aceita, mesmo sendo pecadores.

A aceitação de nós mesmos, que nos ajuda a mudar, significa parar de negar que temos um problema em nosso comportamento. Significa parar de ficar culpando os outros por isso e pedir a Deus coragem para olharmos de frente para nós mesmos e entender que temos uma dificuldade, escolhendo, então, fazer algo para melhorar.

Defesas que usamos em nossos relacionamentos podem ser modificadas ou ajustadas, para que elas não mais atrapalhem a nossa vida na família, no trabalho, na comunidade social. Pessoas agressivas verbalmente podem aprender a se tornar mansas justamente quando se dispuserem, quando tiverem boa vontade de dar uma olhada para o seu comportamento nervoso e aceitar que aquilo é algo seu, independentemente de como as outras pessoas o tratam.

Um homem pensativo sentado em um banco de parque

Só a própria pessoa pode mudar a si mesma. Só ela pode admitir ter problemas de personalidade e caráter, ao ponto de começar a pensar que será melhor lutar contra isso, para fazer a sua parte na melhoria da qualidade dos seus relacionamentos. Ficar culpando os outros para justificar o seu comportamento ruim não adianta, porque pelo menos parte da verdade se relaciona com o fato de você ainda ter dificuldades psicológicas, que podem ser: autoritarismo, passividade, mentira, fingimento, nervosismo, irritabilidade fácil, entre outros problemas de comportamento.

Se você fizer o melhor para mudar e amadurecer nessas áreas de sua personalidade que estão ainda imaturas, sua qualidade de vida irá melhorar, independentemente dos outros mudarem ou não.

Eu li uma frase que diz assim:

Sim, às vezes culpar o outro é apenas uma desculpa para me manter ocupado, a fim de não ter de sentir o constrangimento da minha impotência.
Bert Hellinger

O que isso significa? Se você convive com uma pessoa que te frustra pelo comportamento dela, em vez de lidar com seu sentimento de frustração e aceitar a situação, você pode ficar culpando a outra pessoa, porque isso evita pensar na frustração e enfrentar o seu sentimento de impotência. Já que você e nenhum de nós consegue mudar uma outra pessoa; só ela pode mudar a si mesma, se quiser.

Isso significa que precisamos nos expor à verdade, para que ela vá acabando com as nossas defesas que não mais precisamos usar em nosso comportamento. Isso significa pensar em como funcionamos; significa decidir refletir para entender o que houve em nosso passado infantil e de juventude, que nos levou a adotar esta parte do nosso comportamento que temos hoje, mas que pode não mais ser adequada para seguir com ele.

Para isso, precisamos ser honestos conosco mesmos: parar de ficar culpando os outros e entender que nos tornamos assim por escolhas, talvez muitas delas inconscientes do que fizemos ao longo da vida. Nós nos tornamos aquilo que nos causa menos dor.

Mas, se você tem uma dor emocional que foi reprimida e adotou comportamentos ruins que te fazem sofrer, mesmo que esteja acostumado com eles, essa dor precisa vir para a consciência para ser elaborada. Assim, você terá chance de mudar.

Não podemos mudar o que não percebemos em nós, não é mesmo?

Então, peça a Deus, em oração sincera e frequente, para Ele te ajudar a perceber, a tomar consciência dos comportamentos que você tem, os quais prejudicam a paz interior e o relacionamento com os outros. Peça a Ele luz sobre isso e força para mudar.

Ninguém pode fazer isso por você: nem médico, nem psicólogo, nem medicação. Mas a verdade vos libertará! Você está pronto para fazer esse passo?

Frutas saudáveis

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Arquivado em: Saúde Mental

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Comentários

  1. Elzany diz

    setembro 10, 2025 em 21:22

    Muito interessante e pertinente ao momento que vivemos, cercados de padrões e conceitos viciantes e apelativos, onde muitas vezes nos perdemos. Gratidão pela orientação.

    Responder

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