Eu quero tratar hoje sobre o fato de que corpo e mente sempre atuam juntos para a saúde ou para a doença. Corpo e cérebro sempre atuam juntos no adoecer e no recuperar a saúde. Uma enfermidade chamada psicossomática é a que se manifesta no corpo, mas que tem origem na mente ou tem participação de fatores emocionais. É uma doença causada ou agravada por fatores mentais, tais como conflitos pessoais, estresse e problemas nos relacionamentos.

É como se a mente dissesse para o corpo: “Ah, eu não aguento lidar com esses conflitos mentais, eu não consigo pensar neles, dói muito, me ajude aí, corpo.” É como se o corpo falasse assim: “Tá bom, eu vou te ajudar.” Em seguida, surgem sintomas no corpo que são originados de conflitos na sua vida. A mente passa a usar mecanismos de defesa que mantêm a consciência dos conflitos fora do campo perceptivo. Quanto mais difícil for para aquela pessoa pensar na sua dor emocional, nos conflitos de sua vida passada ou presente, ou ambos, mais o corpo sofrerá e mais a verdade da causa é enterrada no físico, indo para longe da consciência. Doença e saúde dependem de uma interação entre o bio-psíquico-social e espiritual.
Você pode ter um problema social complicado que vai atingir sua saúde física, com repercussões na saúde mental, na sua vida mental, e vice-versa. Você pode ter um conflito interpessoal, um conflito com alguém de difícil solução ou sem solução, que vai atingir também a sua imunidade e as suas glândulas, produzindo uma doença psicossomática. Na verdade, todas as doenças são psicossomáticas, porque o cérebro e o corpo estão atuando juntos. Mas você pode questionar: “Bom, mas e as doenças infecciosas? Não são micro-organismos que causam uma doença, uma infecção, né? Uma doença infecciosa?”
Estudos de epidemiologia mostram que existe apenas uma associação entre a presença de um vírus ou bactéria no corpo do doente e a presença de uma determinada enfermidade, mas essa associação não significa que, obrigatoriamente, um determinado vírus ou bactéria naquele corpo seja a causa daquela infecção, como um agente isolado. Vamos pensar nos casos em que a presença do chamado agente infeccioso não produz a doença. Por exemplo, nem todas as pessoas com a bactéria H. pylori desenvolvem úlcera do estômago; nem todos os portadores do bacilo de Koch desenvolverão a tuberculose; e nem todos os que adquirem o novo vírus Corona terão complicações da Covid-19.
A autora de livros sobre saúde e outros temas, Ellen White, escreveu o seguinte:
É dever de todos cultivar um espírito prazenteiro, em vez de estar incubando tristezas e dificuldades. Muitos há que, deste modo, não só se fazem infelizes a si mesmos, mas também sacrificam a saúde e a felicidade a uma imaginação mórbida. Há em seu ambiente coisas que não são aprazíveis, e seu semblante traz continuamente o sobrecenho carregado que, mais claramente do que o fariam palavras, expressam descontentamento. Essas emoções deprimentes fazem-lhes grande mal à saúde, pois, estorvando o processo da digestão, interferem com a nutrição.1)White, E. G. Mente, Caráter e Personalidade, Volume 1, páginas 62 e 63
Então veja como a mente está atuando junto com o corpo. Os doutores José Neto e Renato Luiz Marquet, ambos da USP (Universidade de São Paulo), dizem que cerca de 60 a 80% da população apresenta alguma queixa somática, ou seja, no corpo, durante uma semana qualquer, sem, entretanto, procurar auxílio médico. Quando um paciente, dizem eles, procura um médico devido a um sintoma físico, de 20% até 84% dos casos não se encontra causa orgânica que explique a sua queixa. Interessante, né?

Interessante também que os achados de um médico professor da Universidade de Harvard, Dr. Herbert Benson, médico clínico, apresentam índices semelhantes. Ele diz que, de 60 a 90% dos pacientes que procuram médicos no ambulatório, têm as suas doenças devido ao estresse físico e mental. Segundo ele, essas são pessoas que têm sintomas físicos como resultado de problemas emocionais e sociais. E ainda, segundo ele, a média poderia ser de 75%. Isso está no livro do Dr. Benson, chamado Medicina Espiritual. Ele explica que as emoções possuem um papel muito mais crucial em nossa fisiologia do que a maioria de nós pode compreender.
A educadora Ellen White, escreveu mais:
É necessário grande sabedoria por parte dos médicos do Instituto a fim de curarem o corpo através da mente. Poucos, porém, compreendem o poder que exerce a mente sobre o corpo. Grande parte das doenças que afligem a humanidade têm a sua origem na mente, e podem ser curadas apenas pela restauração da mente à saúde. Há um número muito mais elevado do que imaginamos que está sofrendo das faculdades mentais.2)White, E. G. Conselhos Sobre Saúde, página 349
Ela está junto com os médicos da USP que eu citei e da Universidade de Harvard quanto à prevalência de doenças psicossomáticas, quando ela diz:
Enfermidades mentais prevalecem por toda parte. Nove décimos das doenças das quais os homens sofrem têm aí sua base.3)Mente, Caráter e Personalidade, Volume 1, página 59.
Então veja que os doutores da USP dizem que, quando um paciente procura um médico devido a um sintoma físico, de 20% até 84% dos casos não se encontra causa orgânica que explique a sua queixa. O médico clínico da Harvard, Dr. Benson, fala que é uma média de 75%, e Ellen White fala que 90% das doenças têm origem na mente. Interessante que a Bíblia fala de psicossomática séculos antes dos estudos científicos sobre esse tema, ao dizer, por exemplo, o texto que fala assim:
O coração alegre serve de bom remédio, mas o espírito abatido virá a secar os ossos.
Provérbios 17:2
Vamos ver agora algumas ideias sobre como lidar com doenças psicossomáticas. Primeiro, dependendo da doença que a pessoa apresenta, será necessário não somente o tratamento psiquiátrico e psicológico, mas também com outros especialistas. Por exemplo, se a pessoa apresenta colite ulcerativa ou úlcera gástrica conectada com o momento da vida com alto estresse emocional, ela precisará também ser avaliada e acompanhada por um gastroenterologista.

Segundo ponto: algumas doenças psicossomáticas talvez não terão cura porque o tempo de sofrimento psicológico foi muito longo, numa personalidade muito sensível e sem muitos recursos internos de defesa, numa pessoa com um ego meio fragilizado, de maneira que provocou alterações graves em algum órgão. Ela poderá, possivelmente, com os tratamentos e empenho pessoal, conseguir algum alívio. Isso é o que nós chamamos de prevenção terciária e também tem a ver com cuidados paliativos.
O terceiro ponto é a hipocondria. Hipocondria é uma focalização constante do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, podendo ser acompanhada de sintomas que não se enquadram em nenhuma doença orgânica conhecida. Os portadores de hipocondria apresentam uma sensibilidade corporal exagerada. Cerca de 15% das pessoas hipocondríacas, que têm mania de doença, apresentam também crises de pânico, por serem muito ansiosas, com dificuldade de manter relacionamentos nos quais não têm controle da situação.
Qualquer alteração fisiológica, como, sei lá, um barulho na barriga, um batimento cardíaco mais rápido ou a boca seca de repente, é percebida e interpretada pelos hipocondríacos como algo muito perigoso. E, já que são pessoas controladoras e bem pessimistas, elas acham que estão num risco de morte ou podem ter consequências graves, só porque o coração acelerou um pouquinho, ou a barriga roncou, ou a boca ficou seca. O caminho é reduzir a ansiedade, olhar com firmeza para a verdade de que sua mente tem tendência de supervalorizar pequenos sinais ou sintomas corporais, e lutar para evitar que os pensamentos trágicos continuem perturbando.
Sintomas físicos que têm muitos componentes psicológicos como causa deles significam que os sentimentos desagradáveis podem ter sido colocados debaixo do tapete da consciência. Isso significa que os conflitos mentais, que são as verdadeiras causas do sofrimento físico, precisam ser abordados. Muitas pessoas que não se sentem amadas podem adoecer com frequência para tentar atrair a atenção de um familiar. Pense nisso.

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Dr. Cesar Vasconcellos de Souza está trabalhando como psiquiatra e palestrante internacional. É autor de 3 livros, colunista da revista de saúde “Vida e Saúde” há 25 anos, e tem programa regular na TV “Novo Tempo”. Acesse mais conteudos no canal de Youtube.
Referências
Gostei muito, foi muito útil, porém não foi acrescentado aqui nas referências bibliográficas os outros autores
Sim, eu coloco as referencias se eu estou recebendo isso juntos com o artigo. Se essa informação não veio juntos, eu não tenho tempo de pesquisar isso. O livro de Dr. Benson se encontra com facilidade. Os autores de USP tem que pesquisar. Se for encontrando uma referencia, eu posso colocar.