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Aprenda a Fazer um Desbloqueio Mental

março 23, 2025 por Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Quando uma criança vai crescendo na sua família de origem, mesmo nas famílias onde não existem conflitos graves, ela precisa usar mecanismos de defesa psicológica para lidar com as frustrações inevitáveis. Assim como o nosso sistema imunológico foi criado por Deus para proteger nosso corpo contra invasores, como vírus ou bactérias que produzem enfermidades, também nós temos em nossa mente mecanismos psicológicos para nos ajudar a, se possível, nos afastar de atitudes, sentimentos, pensamentos, palavras e crenças que podem ser desagradáveis.

Aprenda a Fazer um Desbloqueio Mental

Se pensar em determinado assunto nos causa muita dor emocional, a mente pode bloquear isso, usando um dos mecanismos de defesa para nos poupar de experimentar um sentimento doloroso. Então, você pode ter uma angústia e negá-la. Isso porque o mecanismo de defesa impede essa angústia de vir para sua consciência.

Dói pensar no que dói e, em geral, evitamos sentir dor emocional. Dor emocional pode ser angústia, tristeza, medo, ansiedade, culpa, vergonha, entre outras. Os mecanismos psicológicos de defesa entram em ação de forma inconsciente. Não é uma escolha que você faz conscientemente para não pensar nessa ou naquela dor mental, nesse ou naquele conflito, perda ou trauma.

Por exemplo, um indivíduo viciado em alguma substância, seja álcool, droga ilícita ou outra, pode ficar muitos anos dizendo que não tem problema com drogas. Isso não é uma mentira conscientemente usada por ele, mas um mecanismo psicológico chamado de negação.

Por razões variadas, é difícil para essa pessoa admitir que tem descontrole quanto ao uso de substâncias. Por isso, sua mente cria essa postura de negação e frases que ele pode usar estando nessa condição, como:

  • “Eu paro de beber quando quiser.”
  • “Eu bebo só um pouquinho.”
  • “Eu só uso droga no final de semana.”

Enquanto a verdade é que ele não consegue parar sozinho de usar essas substâncias, bebe demais e usa drogas com frequência.

Uma mulher bebendo whiskey

Ainda nesse exemplo da negação, quando a pessoa admite que perdeu o controle sobre o uso da substância, ao reconhecer que não consegue parar com esse vício sem ajuda, ela dá o primeiro passo para a recuperação. Isso acontece porque agora não está mais sendo dominada pela negação. Dessa forma, a verdade aparece na mente dessa pessoa, e é quando ela pode procurar ajuda adequada.

Interessante que o Senhor Jesus disse que, conhecendo a verdade, a verdade nos libertará. Para ter cura emocional, é preciso verdade. Verdade sobre nós mesmos, sobre nossos pensamentos, sentimentos, desejos e motivações.

Quando vivemos conflitos desde a infância até a vida adulta, nossa mente lança mão, inconscientemente e de forma automática, de defesas mentais para nos manter na realidade e funcionando como pessoa. A gente vai se tornando aquilo que causa menos dor.

Eu vou repetir: a gente vai se tornando na vida aquilo que causa menos dor. O problema é que, para alguns, esse jeito de se tornar é disfuncional, complicado e machuca muita gente.

Uma criança pode, por exemplo, se sentir insegura e com medo excessivo, e a mente dela cria uma defesa para lidar com esse desconforto emocional, que pode ser, por exemplo, a fobia escolar. Nessa criança, o medo excessivo e, talvez, alguma dificuldade com o pai ou com a mãe, em termos de interação afetiva, produzem um desconforto emocional que pode ser angústia. A mente, então, cria uma defesa contra essa angústia, que é a fobia.

Em outra criança diante dos mesmos sofrimentos poderá surgir não a fobia, mas enurese noturna que é voltar a urinar na cama quando a criança já tinha controle sobre isso.

A fobia é um medo exagerado, e serve de defesa contra aquilo que assusta a pessoa. Se ela tem conflitos difíceis de resolver, a mente pode criar uma fobia, porque, com a fobia, ainda consegue funcionar.

Por exemplo, se a fobia é de usar elevador, ela pode subir pela escada. A fobia pode ser, então, entendida como uma defesa contra a experiência de uma dor emocional difícil para aquela pessoa fóbica experimentar.

Um empresário sente fobia dentro de um elevador

É como se a mente da pessoa com fobia dissesse assim: “Ah, é menos pior eu sentir essa fobia do que ter que encarar a minha dor emocional profunda.”

Na fobia, ela ainda sabe se virar. Como assim?

Se for fobia de elevador, ela vai pela escada.
Se for fobia de altura, ela não sobe em lugares altos.
Se for fobia de lugares fechados, ela evita esses espaços ou fica bem perto de uma porta de saída.

Mas lembre-se: a fobia é uma defesa contra uma dor que a pessoa ainda não conseguiu aprender a olhar de frente e administrar. Que dor é essa? A resposta está no inconsciente da pessoa, debaixo da superfície da consciência.

A fobia é um medo excessivo, muitas vezes irracional, porque o indivíduo sabe, racionalmente, que não faz sentido aquele tipo de manifestação de medo exagerado, mas, mesmo assim, sofre com isso.

Já atendi gente que tinha medo de passarinho. Racionalmente, não faz sentido ter esse tipo de medo, não é? Mas, para aquela pessoa, o passarinho tem um significado negativo na vida emocional, geralmente inconsciente para ela.

O mais importante é entender que a fobia, como eu disse, é um mecanismo de defesa emocional, revela que, na mente inconsciente do indivíduo, existem conflitos que podem não estar claros para essa pessoa.

A pessoa, independente do seu nível cultural, pode dizer assim: “Ah, eu não sei por que sinto esse tipo de medo exagerado.”

A cura disso requer a tomada de consciência dos conflitos que estão abaixo da superfície da consciência. Isso pode ser doloroso, porque dói, como eu disse, pensar naquilo que dói.

Por isso, evitamos pensar no que causa dor emocional e usamos, inconscientemente, o mecanismos de fuga da experimentação dessa dor.

Fazemos isso até estarmos prontos para encarar a verdade que estava inconsciente. Quando essa verdade, que explica nosso sofrimento mental, chega à nossa consciência, ela produzirá a chance de amadurecimento e resolução dos sintomas. Por isso, conhecer a si mesmo é um grande conhecimento.

Por isso, Jesus disse:

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
João 8:32

Então, uma pergunta que surge é: Que verdade sobre mim mesmo preciso conhecer para me tornar livre desse sofrimento mental?

Algemas abertas representando o conceito de liberdade

Para descobrir isso, você precisa pensar, orar, refletir e tentar fazer as conexões entre os sofrimentos do passado e os sintomas de hoje. Precisa montar o quebra-cabeça da sua vida.

Pense no que houve em sua infância e adolescência que foi ruim para você. Tente lembrar qual sentimento sentiu naquela ocasião. O que perturbava sua mente? Era medo, tristeza, culpa, vergonha?

O que você fazia com esses sentimentos quando era criança? Você falava para alguém, desabafando? Você engolia tudo?

Como seu pai, sua mãe ou quem criou você lidava com esses sentimentos seus? Dava apoio, reprimia ou não fazia nada porque você não falava como se sentia? Pense sobre isso. Peça a Deus para entender o que Ele sabe que você precisa entender sobre seus sofrimentos do passado, para ser liberto dos sofrimentos do presente.

Voltando à questão dos mecanismos de defesa que nossa mente usa, em determinado momento da vida, podemos precisar usar um mecanismo de defesa.

Mas, com o passar do tempo e a decisão de buscar a resolução dos sofrimentos emocionais básicos, que estão sob a superfície do que pensamos conscientemente, é possível abandonar o mecanismo que antes nos servia, mas que agora nos atrapalha.

O que antigamente nos ajudava a lidar com situações dolorosas, agora pode ser uma barreira para nosso amadurecimento e força para viver. Um alcoólatra pode ter vivido em negação sobre a perda do controle sobre a bebida por muitos anos. Ele usava esse mecanismo de defesa para não encarar o problema, mas, fugindo da verdade sobre a sua compulsão pelo álcool, sua vida não podia melhorar, e ele, seus familiares e amigos sofriam.

Repetindo: podemos usar por muitos anos um mecanismo de defesa, e ele impedir o amadurecimento e a resolução de conflitos. Vou dar outro exemplo, sem ser o da pessoa com problemas com bebidas alcoólicas, para ilustrar isso.

Vamos supor que você tivesse quebrado uma perna em um acidente e precisou usar muletas por um tempo. Enquanto não podia apoiar plenamente a perna fraturada no chão, as muletas eram necessárias. Mas, se quando o médico liberou o uso das muletas, porque a perna já estava sarada, você decidisse continuar usando-as, elas seriam um problema para andar, em vez de um auxílio. Então, o que era necessário antes agora não é mais, uma vantagem, mas se transformaria em uma desvantagem.

Um homem andando com muletas no hospital

Assim acontece com as defesas psicológicas que usamos e com defeitos de caráter. Na medida em que somos iluminados por Deus e passamos a ver e admitir que temos este ou aquele defeito de caráter ou defesa que agora é disfuncional e atrapalha, então, vendo isso, temos a chance de mudar.

Por um lado, é importante não nos acomodarmos com nossas defesas e defeitos de caráter e lutar para melhorar. Por outro, é importante exercermos paciência com a gente mesmo e, em vez de nos condenarmos e nos depreciarmos ao perceber nossos erros de comportamento, aceitar o ritmo possível para a mudança deles.

Às vezes, precisamos nos aceitar com os defeitos e tudo mais, antes que esses defeitos sejam removidos. Aceitar como Jesus nos aceita, mesmo sendo pecadores.

Então, para melhorar um sofrimento mental ou problemas de relacionamento, é importante pensar no que a pessoa pode estar fugindo de pensar. Parar de fugir da verdade, aceitar a situação dolorosa ou aceitar a perda e, finalmente, pensar no que ela pode fazer agora em sua vida, depois da aceitação de que não pode isso ou aquilo, porque não é onipotente.

Realmente aceitar a nossa limitação é um passo para nos ajudar a fazer o que antes não conseguíamos e que agora dá para fazer. A aceitação de nós mesmos nos liberta para sermos o que é possível, com a ajuda de Deus, de parentes e de amigos.

Frutas saudáveis

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Dr. Cesar Vasconcellos de Souza
Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza está trabalhando como psiquiatra e palestrante internacional. É autor de 3 livros, colunista da revista de saúde “Vida e Saúde” há 25 anos, e tem programa regular na TV “Novo Tempo”. Acesse mais conteudos no canal de Youtube.

doutorcesar.com/

Arquivado em: Adicção, Ansiedade, Saúde Mental

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Comentários

  1. Elaine Nunes Jordan diz

    abril 6, 2025 em 14:38

    Concordo plenamente com o texto. O autoconhecimento nos faz perceber a nossa responsabilidade, atentos, podemos fazer novas e melhores escolhas e se libertar dos traumas.

    Responder

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