As estatísticas contam a história. Está na hora de reduzir o tempo em que passamos com nossos smartphones? O uso constante da mídia fez com que nossa capacidade de atenção caísse de 12 segundos em 2000, para apenas 8 segundos atualmente. A capacidade de atenção de um peixinho dourado é de 9 segundos.((https://www.thetreetop.com/statistics/average-human-attention-span)) Muitas crianças e jovens são “inundados” pela mídia, passando mais tempo com aparelhos diversos do que em qualquer outra atividade além de dormir.((Trends in Media Use 2008;18(1):11-38)) Um integrante da geração do milênio afirmou isso da seguinte forma: “Posso estar assistindo a um jogo na TV, acompanhando outro jogo pelo Twitter, enviando mensagens de texto para amigos no meu telefone e fazendo compras com um clique no meu tablet – tudo ao mesmo tempo. Eu absorvo muitas informações, mas elas simplesmente não entram na minha cabeça.”

Adultos e adolescentes estão perdendo o sono por seguirem as mídias sociais, responderem a e-mails e enviarem mensagens de texto à noite. A luz azul que emana desses dispositivos eletrônicos tem um lado sombrio. A exposição noturna por esse luz desequilibra os ritmos circadianos do corpo e o sono. Algumas pesquisas associam a superexposição a diabetes, doenças cardíacas, obesidade e até mesmo alguns tipos de câncer.((http://www.health.harvard.edu/staying-healthy/blue-light-has-a-dark-side))
Aprendizagem passiva versus ativa
Quais são os efeitos a longo prazo de tanta mídia? Assistir à televisão e navegar na Internet não desafiam ativamente o cérebro. O neurocientista Jeffrey Victoroff afirma: “É aqui que chegamos ao ponto crucial sobre a estimulação mental e o cérebro: a experiência passiva faz pouco pelo cérebro adulto. Para manter o aprendizado e o crescimento do cérebro, precisamos gerar respostas ativas aos desafios cognitivos.” Os exemplos incluem aprender um instrumento musical, ler material mentalmente desafiador ou aprender um novo ofício ou habilidade.((Victoroff J. Saving Your Brain. (New York, NY: Bantam Books, 2002).))
O tempo que gastamos com TV e videogames é tempo que NÃO é gasto em outra coisa que pode ser mais benéfica, como recreação ao ar livre, leitura, hobbies ou cuidados com um animal de estimação. Isso afeta o aprendizado, a socialização e a saúde. Crianças e adultos que passam mais tempo na mídia têm menos probabilidade de fazer exercícios e mais probabilidade de consumir lanches e bebidas prejudiciais à saúde.
Networking: quanto é demais?
O uso sábio da mídia pode educar, cultivar conexões e proporcionar entretenimento inofensivo. Mas a exposição descontrolada à mídia é viciante. Toda experiência tem de ser altamente divertida e todo problema tem de ser resolvido rapidamente. A gratificação instantânea de “curtidas” e kkks não substitui as habilidades sociais necessárias para relacionamentos reais ou satisfação no trabalho, na escola e na vida. Isso exige tempo, perseverança, disciplina e foco.
A comunicação pela mídia altera a forma como as pessoas interagem – adolescentes na mesma sala podem enviar mensagens de texto em vez de conversar cara a cara. Enviar mensagens de texto em vez de falar, exclui as expressões faciais, o tom, a linguagem corporal e as nuances e a empatia que o texto não consegue mostrar. A preocupação é que o aprendizado vital e as habilidades sociais necessárias para evitar a depressão e o estresse sejam sacrificados em detrimento do processamento rápido de informações.

A televisão e o cérebro neutro
A pesquisa do neurocientista Dr. Antonio Damasio sugere que a exposição frequente a notícias violentas, televisão e videogames entorpece as emoções. Ele diz que as informações e imagens são processadas muito rapidamente pelo cérebro, mas seu significado emocional, ou “marcação”, leva segundos a mais. “Os eventos são registrados cada vez mais rápido”, diz Damásio, “e você nem sequer tem tempo de deixá-los penetrar. No noticiário, as coisas são mostradas uma após a outra. Por mais aterrorizantes que sejam, as imagens são mostradas tão rapidamente que não temos tempo de sentir emocionalmente o horror de um determinado fato.” O efeito final é que as cenas horríveis não evocam mais o sofrimento moral.((Victoroff J. Saving Your Brain. (New York, NY: Bantam Books, 2002).))
O perigo da entrada em alta velocidade, de acordo com Damásio, é que “haverá cada vez mais pessoas que terão de confiar inteiramente no sistema cognitivo, sem usar a memória emocional, para decidir o que é bom e o que é mau. Podem ser informadas sobre o bem e o mal, mas o bem e o mal poderão não surtir efeito.”((Victoroff J. Saving Your Brain. (New York, NY: Bantam Books, 2002).))
Entretido até a morte
Em seu livro, Still Bored in a Culture of Entertainment (Ainda entediado em uma cultura de entretenimento), o psiquiatra Richard Winter compara o entretenimento da mídia atual com os dias de reuniões de bairro que consistiam em se reunir com os vizinhos, estourar pipoca e contar histórias que mantinham vivas memórias importantes.
Ele acrescenta: “Quando somos estimulados por todos os lados, chegamos a um ponto em que não conseguimos responder com muita profundidade a nada. Bombardeados com tanta coisa empolgante e que exige nossa atenção, tendemos a… fechar nossa atenção para tudo.”((Winter R. Still Bored in a Culture of Entertainment. (Downer’s Grove, IL: Inter Varsity Press, 2002) p. 36.)) Os Guinness descreve esse estado: “O outro lado do consumismo é a comodidade. Os compradores e telespectadores mais compulsivos passam de sentir-se bem a não sentir nada.”((Guinness O. The Call: Finding and Fulfilling the Central Purpose of Your Life. (Nashville, TN: Word, 1998) p. 149.))

Jogos online
Os pais lamentam que os jogos constantes estejam transformando suas crianças e adolescentes, antes pacíficos, em estranhos, turbulentos e mal-humorados. Os jogos on-line geralmente usam uma mistura de novidade, recompensa, violência e sexo para atrair a atenção dos jogadores. Os jogos são projetados com sistemas de recompensa incorporados que levam os jogadores a passar horas atingindo objetivos artificiais. Na realidade, os jogos intensos e o excesso de televisão podem afetar três funções vitais do cérebro: (1) linguagem, leitura e pensamento analítico; (2) transferência de informações entre os dois hemisférios cerebrais; e (3) atenção, organização e motivação.((Healy J. Endangered Minds: Why Children Don’t Think and What We Can Do About It. (New York, NY: Simon and Schuster, 1999) p. 209.))
Chamado à ação: Alternativas de mídia
Uma das melhores maneiras de quebrar o vício em mídia é entender que ser um espectador da vida é mais doloroso e vazio do que se envolver em atividades significativas. O bloqueio mental causado pela mídia pode ser quebrado. Os prazeres da vida real podem superar a superestimulação dominada pela mídia. Faça jejum da mídia e dos dispositivos. Tire-os da vista – quando estiver com amigos, faça um pacto para deixá-los no canto.
O lazer vem em muitas formas, incluindo crescimento intelectual, relacionamentos sociais positivos, desenvolvimento de habilidades e talentos, criatividade, responsabilidade, saúde física e mental e a alegria da descoberta. Deus nos criou para aproveitar a vida, sentir prazer, formar relacionamentos e desenvolver nossas faculdades mentais a um nível que supera o de qualquer outra criatura. O verdadeiro prazer, o sucesso, a felicidade e o equilíbrio são possíveis. Podemos aprender a lidar com a vida, desfrutar das rotinas diárias normais, alcançar novos sucessos e desenvolver laços sociais significativos. Isso não é conseguido por meio de satélites e do espaço virtual, mas por meio do envolvimento em relacionamentos e aprendizado ativo.
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Este artigo foi originalmente publicado no site Time to Get Ready.
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