Milhões de pessoas lutam contra o sobrepeso e contra a obesidade. A obesidade mais do que dobrou em 17 anos, passando de 12,2 para 26,8% entre 2002 e 2019 no Brasil. Mais de 60% da população adulta brasileira tem excesso de peso, o que inclui pessoas com sobrepeso e obesidade.

Cerca de 21,8% dos homens e 29,5% das mulheres no Brasil têm obesidade. Dados do sistema de vigilância alimentar e nutricional SISV de 2023 indicam que 14,2% das crianças brasileiras com menos de 5 anos de idade apresentam excesso de peso, obesidade, enquanto a média global é de 5,6%.
Entre os adolescentes, a taxa é ainda mais alta, com cerca de 33%, apresentando excesso de peso comparado à média mundial, que é de 18,2%. Nos Estados Unidos, 41,9% dos adultos americanos com 20 anos ou mais eram obesos entre 2017 e março de 2020.
Já um relatório de 2023 do Centro de Controle de Doenças daquele país declarou que um em cada três adultos e uma em cada seis crianças nos Estados Unidos são afetados pela obesidade. A obesidade é um fator de risco para várias doenças, incluindo doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer.
Precisamos entender que dietas por si só podem não ser suficientes para o bem-estar mental, porque o exagero na alimentação que produz ganho de peso é sintoma de algo mais profundo. Para lidar construtivamente com sobrepeso e obesidade, é preciso algo mais do que força de vontade, exercícios físicos e ficar dosando calorias de uma dieta.
Algumas pessoas abusam do alimento porque foram abusadas emocionalmente ou tiveram um modelo de intemperança na família onde foram criadas e por outros fatores que vamos comentar. Obsessão é diferente de compulsão. Obsessão é aquilo que não sai da cabeça e a compulsão é a repetição de um comportamento.
As compulsões por qualquer coisa, sexo, comida, trabalho, droga ilícita, álcool, compras, corrupção, compulsão para se auto humilhar, entre outras, servem para tentar fazer parar o desespero, a dor emocional que a pessoa ainda não aprendeu a lidar com ela de um modo positivo, construtivo. Um adulto que quando era criança sofreu bastante por causa de discussões dos pais, em alguns casos por causa do divórcio deles, pode ter se apegado à comida como uma forma substitutiva de afeto, de carinho, de amor.
Isso pode ter acontecido porque ela tinha fácil acesso a alimentos quando não tinha presença ou acolhimento dos pais. A falta de um amor saudável dos pais para com a criança pode, em algumas crianças, produzir na vida adulta uma compulsão por alguma substância ou atitude. Como a criança precisa do pai e da mãe para cuidar dela, porque eles são o seu cuidador, seu protetor, seu ídolo, quando esses pais não estão disponíveis para essa criança, isso causa uma sensação de desvalor. E ela pode desenvolver o pensamento de que ela não é boa o bastante, porque se fosse seus pais a amariam.

Esse é um pensamento errado, distorcido, porque a verdade é que os pais tiveram limitações para amar melhor o filho, a filha. Mas como a criança precisa dos pais, quando ela erra, ela acha que eles erraram com ela, porque ela é que não é uma boa criança. Isso favorece a auto rejeição, o autodesprezo, a autodesvalorização, que são atitudes que provocam dor e podem conduzir a uma compulsão. Por exemplo, a compulsão alimentar. Uma menina que tinha 3 anos de idade quando a sua mãe a deixou na casa da avó, dizendo que voltaria no dia seguinte.
A garotinha acreditou no que a mãe disse, mas a mãe só voltou vários anos depois. A avó era grosseira e vivia reclamando por ter que tomar conta da neta, surrando a garota. Às vezes essa avó agressiva batia com violência na menina de tal modo que ficavam marcas no corpo da neta. Na escola, a professora perguntava o que tinha acontecido e ela arranjava sempre uma desculpa dizendo que havia se machucado numa brincadeira ou que havia levado um tombo. A menina tinha medo de dizer a verdade e isso chegar aos ouvidos da avó que poderia bater ainda mais nela. Ela também tinha medo que a avó não quisesse mais ela ali, e ela não tivesse onde morar.
Muitas crianças, sofrendo num lar abusivo, fogem de casa ou entram no mundo das drogas, se tornam marginais, abusam do álcool, se tornam rebeldes e algumas se tornam compulsivas para a comida. Essa menina começou a esconder alimentos sob o colchão da sua cama e de madrugada, quando a avó estava dormindo, e ela perdia o sono por causa dos sofrimentos de ansiedade, medo e tristeza, ela se satisfazia comendo. A mensagem era: “Se eu não consigo o amor da minha mãe, da minha avó, eu consigo a comida”.
As crenças psicológicas que essa menina foi aprendendo com esse modo conflituoso de ser criada e que foi entrando na mente dela foram as seguintes:
- Primeiro, eu sou uma pessoa ruim, por isso me tratam mal; por isso minha mãe não voltou logo.
- Segundo, é melhor não acreditar nas pessoas. Minha mãe disse que voltaria e já faz anos que ela não voltou.
- Terceiro, quando uma pessoa se afasta de mim, ela nunca mais volta.
- Quarto, sou muito exigente, por isso minha avó me trata mal.
- Quinto, minha avó é adulta, sabe mais do que eu e ela sempre me bate porque eu sou ruim.
- Sexto, é melhor eu comer porque a comida nunca vai embora. Minha mãe foi. A comida não me castiga. Minha mãe, minha avó sim.
Ao longo de uns 30 anos de vida, essa garota, ao ficar adulta, havia engordado, emagrecido, engordado, emagrecido inúmeras vezes.
Teve mais de um casamento, e um deles foi com um marido que viajava a trabalho. Quando ele precisava ficar mais dias fora por conta do trabalho, ela sentia solidão muito dolorosa, e pensamentos de que ele não voltaria perturbava a cabeça dela. Para aliviar isso, ela comia. O amante dela se tornou a comida. Como comentei antes, a compulsão é uma atitude, um comportamento, um vício, um apego a alguém ou a alguma coisa que serve como uma forma de sobrevivência emocional.

A compulsão serve para anestesiar, tolerar, entorpecer a experiência de dor mental. Uma pessoa se torna compulsiva por causa de feridas do passado que a conduziram a pensar em si com desvalor e, portanto, sem merecer ser amada. A compulsão pode ser uma complicação menor para se lidar e evitar com uma complicação maior, que é a dor emocional profunda. Quando uma pessoa engorda e passa a se sentir mal consigo mesma, ela pode usar o fato de estar gorda como argumento para não se aproximar dos outros.
Geralmente ela diz alguma coisa, tipo assim: “Ah, eu estou feia, estou gorda”, e se mantém afastada, isolada. Na verdade, essa pessoa pode ter esse afastamento porque quando se aproximava de pessoas importantes no seu passado, pai, mãe, avô, avó, tia, enfim, era rejeitada. O problema então não é se afastar das pessoas porque está gorda, mas porque existe uma ferida no passado. Em sua mente ainda é necessidade de tratamento.
A ferida de ter sido de alguma forma rejeitada e que a fez se sentir mal, sentir dor, a conduziu para a compulsão alimentar como forma de anestesiar essa dor. Claro que nem toda pessoa gorda teve pais rejeitadores; não é isso que eu estou dizendo também.
- Algumas sim pode ajudar no processo de resolver isso, com atitudes de como primeiro analisar de onde vem o medo principal. Será medo de ser rejeitada, abandonada, mal-amada?
- Segundo, pensar que sentimentos teve ao longo da infância e adolescência e que foram reprimidos porque não podiam ser expressos naquele ambiente familiar, talvez por medo de retaliação, de não dar importância de ser rejeitada. Pode ser raiva, mágoa, medo, vergonha.
- Terceiro, escolher se relacionar hoje com pessoas boas que respeitam você, que valoriza a sua pessoa, que te escutam com atenção.
- Quarto, renunciar a possíveis tentativas de controle, como se fosse possível fazer com que as pessoas façam o que você quer.
- Quinto, tomar conta de si mesmo, aprendendo a cuidar melhor de si e assumir a responsabilidade hoje na vida adulta de fazer algo que proporcione bem-estar.
- E sexto, aceitar as perdas, as dores e o vazio do passado.
Viver nos protegendo da dor provavelmente nos afasta das pessoas ou nos mantém ligados a elas de maneira mais formal, mais superficial ou com atitudes talvez agressivas, irritantes. Mas quando nos permitimos falar de nossa dor, expondo-a devidamente, falando dela de modo claro, isso pode fazer com que ela vá embora. Com isso, a compulsão alimentar ou outra compulsão enfraquece e pode ser resolvida. Vamos aprender que não é mais necessário esconder nossos sentimentos para sobreviver. Como a menina não tendo como falar de seus medos, falar das saudades da mãe diante da avó agressiva, atacava a comida.
A paz, a alegria, a serenidade duradouras e genuínas não surgem por se estar magra após uma dieta, por causa de uma cirurgia plástica, por obtermos um novo amor, por ganhar dinheiro ou adquirir um cargo público com ótimo salário. Paz, alegria e calma surgem em nós quando perdoamos as pessoas que nos machucaram, consciente ou inconscientemente na vida. Quando passamos a nos respeitar e vencer pensamento de autodesvalorização, quando abrimos nosso coração para pessoas confiáveis, éticas e empáticas, quando nos rendemos a Deus sem revolta, permitimos que ele cure nossas feridas passo a passo, um dia de cada vez.

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Muito bom,seria melhor se as crianças tivessem mais atenção e dedicação de seus pais,para evitar tantos males,eu tive algum problema parecido no texto e sem perceber ,acabei fazendo com que meus filhos TB sofressem,quase que perdi um para a morte,mas Deus na Sua infinita sabedoria interviu, e qdo o agressor chegou,meu bebê estava protegido.