A pessoa que vive com frequência nas redes sociais se comparando com o estilo de vida de outros, se expõe demais a notícias trágicas e deixa isso ocupar muito espaço na sua mente. São manchetes sobre guerra, violência social, corrupção, fraudes, crimes, desastres naturais, ataque terrorista, morte de gente importante.

Nadra Nittle é uma jornalista e autora de Los Angeles. Ela publicou um artigo muito interessante no site Verywell Mind, em julho de 2025, falando sobre a conexão entre depressão e mídias sociais. Têm pesquisas que sugerem que o uso exagerado de mídias sociais pode contribuir para o surgimento de sintomas depressivos porque podem desencadear emoções negativas ou piorar sintomas de depressão que a pessoa já apresenta. Isso pode acontecer porque a pessoa vive com frequência nas redes sociais, se comparando com o estilo de vida de outros e se expondo demais a notícias trágicas.1)Nittle, N. (2025, July 28). The link between social media and depression. Verywell Mind. https://www.verywellmind.com/the-link-between-social-media-and-depression-5070339
Estima-se que 4 bilhões de pessoas usam redes sociais — as mais conhecidas como Facebook, X (o antigo Twitter), Instagram — ou seja, metade da população mundial atual. Estudos têm mostrado que as pessoas que limitam o tempo de uso nas mídias sociais tendem a ser mais felizes do que aquelas que não fazem isso e, portanto, gastam muitas horas online. Veja que as notícias boas e ruins — talvez mais ruins do que boas — são colocadas nas redes sociais de forma ininterrupta. Notícias chegam sem parar e uma boa parte com mentiras, fake news sobre tragédia, violência social, corrupção. Isso afeta muito a nossa vida mental.
Um estudo publicado em 2018 numa revista médica das mais respeitadas do mundo, chamada The Lancet, envolvendo 91.105 participantes, mostrou que os indivíduos que ficam no Facebook até tarde da noite eram mais propensos a se sentirem deprimidos e infelizes. A exposição às redes sociais em horário que deveríamos estar dormindo afeta nosso ritmo biológico circadiano e altera a produção e utilização de alguns neurotransmissores no cérebro, podendo, por exemplo, cansar o cérebro e mesmo favorecer o estado ansioso e depressivo.2)Lyall, L. M., Wyse, C. A., Graham, N., Baillie, S. J., Cathcart, A. M., Arshad, S., Mitchell, J., Cavanagh, J., Ward, J., Strawbridge, R. J., Smith, D. J., & Anderson, J. J. (2018). Association … Continue reading

Um outro estudo com 143 estudantes da Universidade da Pensilvânia verificou que quanto menos tempo os estudantes passavam nas mídias sociais, menos sintomas de depressão e solidão eles sentiam.3)Hunt, M. G., Marx, R., Lipson, C., & Young, J. (2018). No more FOMO: Limiting social media decreases loneliness and depression. Journal of Social and Clinical Psychology, 37(10), 751–768. … Continue reading Um estudo de 2015 foi publicado com o seguinte título: “Uso do Facebook, inveja e depressão entre estudantes universitários — o Facebook é deprimente?”. Esse estudo envolveu 736 estudantes universitários e descobriu que os usuários do Facebook que sentiam inveja enquanto estavam no site dessa rede social eram mais propensos a desenvolver sintomas de depressão.4)Tandoc, E. C., Ferrucci, P., & Duffy, M. (2015). Facebook use can be depressive: The mediating role of envy. Computers in Human Behavior, 43, 139–146. https://doi.org/10.1016/j.chb.2014.10.053
A jornalista do artigo que eu mencionei no início diz que, em maio de 2023, o cirurgião-geral Dr. Vivek Murthy, divulgou um aviso para chamar a atenção para os efeitos das mídias sociais na saúde mental dos jovens. Ele observou que em períodos cruciais do desenvolvimento do cérebro adolescente, o uso das mídias sociais é preditivo de diminuições na satisfação com a vida, bem como preocupações adicionais em torno da imagem corporal, problemas de sono e muito mais.
Lembremos que depressão é um estado emocional em que o humor está alterado, com presença de tristeza que não passa, perda de interesse em atividades que a pessoa gostava, sentimento de inutilidade, de culpa, perda da esperança, dificuldade em tomar decisões, tendência ao isolamento social, perda da energia, insônia ou dormir demais, ideias suicidas, entre outros sintomas. A depressão pode ser leve, moderada ou grave. Quando ela é leve, pode bastar apenas apoio psicológico, sem necessidade de medicação para tratar. Se ela é moderada ou grave, o psiquiatra pode prescrever algum antidepressivo além do tratamento psicoterápico.

A prática de atividades físicas favorece a melhora do estado depressivo e, como estamos vendo hoje aqui, limitar o tempo nas mídias sociais e priorizar conexões no mundo real pode ser benéfico para aliviar o sofrimento com a depressão, assim como para a saúde mental em geral. Realmente, os estudos mostram uma relação entre menor uso de mídia social e melhor bem-estar emocional.
Um estudo que marcou bem isso foi o que eu comentei, feito com 143 estudantes da Universidade da Pensilvânia. Os pesquisadores criaram dois grupos: um com uso ilimitado de mídias sociais e um outro grupo com uso limitado a apenas 30 minutos por dia (Facebook, Instagram e Snapchat combinados) por três semanas. Cada participante do estudo usou seu celular para acessar as mídias sociais e os pesquisadores monitoraram seus dados telefônicos para garantir a conformidade.
O grupo com acesso restrito relatou menor gravidade de depressão e solidão do que no início do estudo. Ambos os grupos relataram uma queda da ansiedade. Os participantes se tornaram mais conscientes de quanto tempo estavam gastando com redes sociais. Não se sabe explicar muito bem por que os participantes que passaram apenas 30 minutos diariamente nas mídias sociais experimentaram menos depressão, mas os pesquisadores pensaram que um fator importante pode ter sido que esses jovens foram poupados de olhar para conteúdos de outras pessoas — notícias de sucesso, viagens agradáveis, aprovação em concurso, família feliz. Se eles não pudessem desfrutar disso, vendo essas notícias poderia entristece-los e fazê-los se sentir mal consigo mesmos.
Quando uma pessoa limita o uso das mídias sociais, isso pode diminuir a tendência de fazer comparações desfavoráveis. Um estudo na Universidade de Missouri, de 2015, descobriu que usuários regulares do Facebook eram mais propensos a desenvolver depressão se sentissem inveja no site. A mídia social também pode dar aos usuários uma sensação de mágoa, por exemplo, no caso de um amigo que não convidou um colega para um passeio e esse colega vê na rede social que os outros foram convidados. Isso pode levar a pessoa a questionar suas amizades ou a sua própria autoestima.5)Tandoc, E. C., Ferrucci, P., & Duffy, M. (2015). Facebook use can be depressive: The mediating role of envy. Computers in Human Behavior, 43, 139–146. https://doi.org/10.1016/j.chb.2014.10.053
A mídia social também pode ajudar a provocar ciúme, como quando uma pessoa vê a página de um ex-namorado ou ex-namorada junto com outra pessoa num relacionamento amoroso. Limitar o tempo gasto pode ajudar a não pensar mal de si mesmo e evitar que surjam sintomas de depressão. Redes sociais também têm sido usadas por valentões como uma nova maneira de atormentar suas vítimas — o cyberbullying. Com apenas um clique, podem divulgar um vídeo ridicularizando uma pessoa ou deixar comentários negativos. O bullying virtual pode fazer com que um jovem se sinta ainda mais isolado se já se sente deprimido.
A jornalista autora do artigo escreveu que um em cada cinco americanos recebe notícias por mídias sociais em vez de um jornal ou revista. Quem usa a mídia social exageradamente se expõe demais a notícias negativas — guerra, violência, corrupção, crimes. Isso pode afetar negativamente a saúde mental do indivíduo viciado em redes sociais. Um estudo na Lancet Psychiatry de 2018 descobriu que aqueles que ficavam no Facebook antes de dormir eram 6% mais propensos a ter transtorno depressivo maior, e classificavam seu nível de felicidade 9% menor do que aqueles com melhor higiene do sono, ou seja aqueles que iam dormir em horas apropriadas sem se expor ao uso de eletrônicos. Quanto mais tempo passamos lendo más notícias, piores esses perigos parecem e mais ansiosos podemos ficar.6)Lyall, L. M., Wyse, C. A., Graham, N., Baillie, S. J., Cathcart, A. M., Arshad, S., Mitchell, J., Cavanagh, J., Ward, J., Strawbridge, R. J., Smith, D. J., & Anderson, J. J. (2018). Association … Continue reading
Mas como usar as mídias sociais com segurança? O uso moderado é o que você precisa fazer. Você pode ativar um cronômetro após estipular quanto tempo vai ficar naquela rede, e ao terminar o tempo fazer força para se envolver em outra tarefa. Já reparou como você pode ficar tão concentrado que nem percebe o tempo passar? Por isso um cronômetro pode ajudar. Você pode diversificar o uso do tempo com atividades como ler um livro, assistir a um bom filme, passear, praticar atividades físicas ao ar livre, cozinhar algo saudável, conversar com um amigo por telefone ou convidar para um lanche. Converse com seus familiares em casa e saia com eles para um passeio.

Você pode, principalmente, reservar um bom momento cada dia para sua devoção pessoal em busca de crescimento espiritual, incluindo a leitura e meditação em textos bíblicos, estudo bíblico, assistência a cultos na sua igreja ou participação de grupos e atividades filantrópicas. Que Deus te ajude a usar menos redes sociais e se envolver mais em atividades que protejam a sua saúde mental, ajudem as pessoas e iluminem a sua mente para o crescimento espiritual. É o que eu desejo para você.

Fique sempre atualizado
Cadastre-se para receber nosso boletim informativo e mantenha-se sempre informado sobre as novidades e dicas para sua saúde.

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza está trabalhando como psiquiatra e palestrante internacional. É autor de 3 livros, colunista da revista de saúde “Vida e Saúde” há 25 anos, e tem programa regular na TV “Novo Tempo”. Acesse mais conteudos no canal de Youtube.
Referências
| ↑1 | Nittle, N. (2025, July 28). The link between social media and depression. Verywell Mind. https://www.verywellmind.com/the-link-between-social-media-and-depression-5070339 |
|---|---|
| ↑2, ↑6 | Lyall, L. M., Wyse, C. A., Graham, N., Baillie, S. J., Cathcart, A. M., Arshad, S., Mitchell, J., Cavanagh, J., Ward, J., Strawbridge, R. J., Smith, D. J., & Anderson, J. J. (2018). Association of disrupted circadian rhythmicity with mood disorders, subjective wellbeing, and cognitive function: A cross-sectional study of 91,105 participants from the UK Biobank. The Lancet Psychiatry, 5(6), 507–514. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(18)30139-1 |
| ↑3 | Hunt, M. G., Marx, R., Lipson, C., & Young, J. (2018). No more FOMO: Limiting social media decreases loneliness and depression. Journal of Social and Clinical Psychology, 37(10), 751–768. https://doi.org/10.1521/jscp.2018.37.10.751 |
| ↑4 | Tandoc, E. C., Ferrucci, P., & Duffy, M. (2015). Facebook use can be depressive: The mediating role of envy. Computers in Human Behavior, 43, 139–146. https://doi.org/10.1016/j.chb.2014.10.053 |
| ↑5 | Tandoc, E. C., Ferrucci, P., & Duffy, M. (2015). Facebook use can be depressive: The mediating role of envy. Computers in Human Behavior, 43, 139–146. https://doi.org/10.1016/j.chb.2014.10.053 |
Deixe um comentário